O plano pode negar cirurgia por falta de auditoria médica?

 

A autorização de uma cirurgia pelo plano de saúde pode envolver diferentes etapas administrativas. Em alguns casos, a operadora informa ao paciente que o procedimento ainda não foi autorizado porque depende de uma auditoria médica. O problema surge quando essa análise demora excessivamente ou quando o plano utiliza a ausência de auditoria como justificativa para negar ou adiar uma cirurgia já indicada pelo médico.

Diante dessa situação, uma dúvida importante é: o plano de saúde pode negar uma cirurgia simplesmente porque não houve auditoria médica?

A resposta depende das circunstâncias do caso, mas a auditoria não pode ser utilizada de maneira arbitrária para impedir ou atrasar um tratamento necessário. A operadora possui mecanismos de controle e análise dos procedimentos, porém esses mecanismos devem respeitar os direitos do paciente e os prazos aplicáveis.

O que é a auditoria médica do plano?

A auditoria médica é um procedimento utilizado pelas operadoras para avaliar solicitações de determinados tratamentos e procedimentos.

O médico auditor pode analisar:

  • Diagnóstico apresentado;
  • Indicação cirúrgica;
  • Exames realizados;
  • Materiais solicitados;
  • Técnicas empregadas;
  • Necessidade do procedimento;
  • Compatibilidade com as coberturas contratadas.

Essa análise faz parte da gestão do plano de saúde e pode ser necessária em procedimentos mais complexos ou de maior custo.

A auditoria pode substituir o médico do paciente?

Não.

O médico responsável pelo tratamento acompanha diretamente o paciente e conhece seu histórico clínico, seus exames e sua evolução. É ele quem possui conhecimento específico sobre a indicação do procedimento.

A auditoria da operadora pode avaliar aspectos relacionados à cobertura e à pertinência administrativa, mas isso não significa que o plano possa simplesmente substituir a decisão do médico assistente por uma avaliação baseada exclusivamente em critérios financeiros.

Quando existe divergência técnica, a situação precisa ser analisada de maneira adequada, sem transformar a auditoria em um obstáculo injustificado ao tratamento.

O plano pode deixar a cirurgia “pendente” indefinidamente?

Não deveria.

A existência de uma auditoria não significa que a operadora possa manter o pedido sem resposta por tempo indeterminado.

Os planos de saúde estão sujeitos a regras específicas sobre prazos para garantia de atendimento e autorização de procedimentos. Quando a situação envolve urgência ou emergência, a necessidade de atendimento é ainda mais imediata.

Por isso, se a operadora simplesmente informa que “está aguardando auditoria” durante um período incompatível com a necessidade médica, o consumidor deve ficar atento.

E se a cirurgia for urgente?

Em situações de urgência ou emergência, a burocracia administrativa não pode se transformar em impedimento para o atendimento necessário.

Se o médico informa que o procedimento não pode ser adiado sem risco de agravamento do quadro, a situação deve ser tratada com prioridade.

Casos envolvendo:

  • Risco de agravamento da doença;
  • Comprometimento de órgãos;
  • Dor intensa;
  • Complicações pós-operatórias;
  • Risco à vida;

podem exigir medidas rápidas para garantir a realização do procedimento.

O que acontece quando há divergência entre médicos?

Pode acontecer de o médico assistente indicar uma cirurgia e o auditor do plano discordar da necessidade ou da técnica escolhida.

Nessa situação, não significa automaticamente que a cirurgia possa ser negada.

A divergência deve ser analisada de acordo com as regras aplicáveis. A operadora não pode simplesmente utilizar uma discordância administrativa para impedir o tratamento sem observar os procedimentos adequados.

Além disso, é importante verificar se a negativa foi devidamente fundamentada.

O plano pode questionar os materiais cirúrgicos?

Sim, a operadora pode analisar os materiais solicitados para uma cirurgia, especialmente quando existem diferentes opções disponíveis.

Porém, a análise não pode resultar em uma substituição inadequada que comprometa o procedimento ou contrarie a necessidade clínica do paciente.

Quando determinado material é essencial para a realização segura da cirurgia, a justificativa médica deve ser considerada.

A negativa deve ser apresentada por escrito?

O paciente deve solicitar a formalização da negativa.

É importante obter um documento ou registro que informe:

  • Qual procedimento foi negado;
  • Qual foi o motivo da negativa;
  • Qual cláusula contratual foi utilizada;
  • Qual norma fundamenta a decisão;
  • Data da solicitação.

Essa documentação é extremamente importante para contestar a decisão administrativamente ou, se necessário, judicialmente.

O que fazer quando a cirurgia está parada por causa da auditoria?

O primeiro passo é entrar em contato com a operadora e solicitar informações sobre o andamento da autorização.

Também é recomendável:

  • Anotar os protocolos de atendimento;
  • Solicitar a previsão de conclusão da análise;
  • Pedir a negativa por escrito, caso exista;
  • Conversar com o médico responsável;
  • Solicitar relatório médico atualizado;
  • Guardar exames e demais documentos.

Se a demora persistir ou houver negativa injustificada, o consumidor poderá registrar reclamação junto à ANS e avaliar outras medidas.

É possível conseguir uma liminar?

Sim. Em situações nas quais a demora ou negativa do plano representa risco para o paciente, pode ser possível ingressar com uma ação judicial e solicitar uma liminar.

A liminar é uma decisão provisória que pode determinar que a operadora autorize o procedimento em prazo reduzido, antes do julgamento definitivo do processo.

Para isso, a documentação médica possui grande importância. O relatório deve explicar claramente o diagnóstico, a necessidade da cirurgia, o grau de urgência e os riscos relacionados à demora.

A auditoria pode negar a cirurgia por motivo financeiro?

O custo elevado do procedimento, por si só, não deve ser utilizado como justificativa para impedir um tratamento que esteja efetivamente coberto e seja necessário ao paciente.

O contrato do plano estabelece as coberturas contratadas, mas a interpretação dessas cláusulas deve respeitar a legislação e os princípios de proteção ao consumidor.

Uma negativa baseada exclusivamente em critérios econômicos pode ser questionada, especialmente quando coloca em risco a saúde do beneficiário.

Quando procurar um advogado?

Se a cirurgia foi indicada pelo médico e o plano está adiando ou negando o procedimento sob a justificativa de auditoria, é importante avaliar a situação rapidamente.

Um advogado especializado em Direito da Saúde poderá analisar o contrato, a indicação médica, a justificativa apresentada pela operadora e os prazos envolvidos.

Em casos urgentes, também poderá avaliar a necessidade de uma medida judicial para evitar que a demora prejudique o tratamento.

Se o seu plano de saúde está impedindo ou atrasando uma cirurgia sob a alegação de falta de auditoria médica, contar com o apoio do advogado especialista em planos de saúde Bruno Peçanha pode ser fundamental para avaliar a legalidade da conduta da operadora e buscar as medidas necessárias para garantir o tratamento indicado.

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